
A Rota do Sândalo
“Ali também Timor, que o lenho manda Sândalo, salutífero e cheiroso.”
Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas, Canto X (Parte III)
O projecto teve como objectivo realizar a primeira ligação terrestre entre Lisboa (Portugal) e Dili (Timor-Leste), usando como meio de transporte uma moto. Esta iniciativa integrou o programa das Comemorações dos 500 anos da chegada dos Portugueses a Timor, das relações interculturais e da afirmação da nova identidade Timorense. A ligação entre as duas cidades, uma a capital do país berço da Lusofonia e a outra a mais recente capital do conjunto dos paises de expressão Portuguesa, simbolizou a amizade e solidariedade que une os dois povos irmãos e todo o espaço lusófono. A viagem teve um propósito humanitário e de solidariedade para com as crianças de Timor-Leste. Pretendendo sensibilizar e apelar ao contributo de todos para melhorar as suas condições de vida, especialmente as crianças de rua de Dili, através dos projectos da ONGD SUL-Timor em parceria com as autoridades do país e ONGs locais. A viagem venceu o mito do isolamento de Timor que muitos consideram longe de tudo, perdida nos confins do mundo e como espaço insular de difícil acesso e ligação aos restantes territórios e países do mundo que não seja por via aérea ou marítima. Para vencer este mito o trajecto percorrido fez a ligação por terra, atravessando o continente asiático e a Europa desde o seu extremo ocidental com recurso apenas a travessias relativamente curtas de ferry-boat. A viagem Lisboa-Díli, com ínicio no dia 6 de Setembro de 2015, terminou em Díli no dia 29 de Novembro, depois de 28.020 kms e de 21 países. A esta viagem segue-se a viagem Díli-Lisboa, de regresso a Portugal, iniciada no dia 29 de Novembro de 2017, dois anos após a chegada a Timor-Leste e a realizar por etapas. Nesta segunda fase da viagem pretende-se comemorar igualmente os 500 anos da 1ª circum-navegação do mundo comandada pelo português, Fernão Magalhães.

[ 6 Setembro ] – Portugal (Lisboa, Torre de Belém)
Antes da partida oficial, visita ao Mosteiro dos Jerónimos onde se recolhiam em oração os navegantes antes de embarcarem. Na foto junto ao túmulo de Luís Vaz de Camões, nome maior da língua Portuguesa que nos une. 
Mapa-mundi e rosa dos ventos na área contígua ao Padrão dos Descobrimentos em Belém, de onde se fez a partida oficial da viagem, com o traçado da rota Lisboa-Díli.
[ 7 Setembro ] – Espanha (Madrid)
Junto à estátua de Dom Quixote de La Mancha e Sancho Pança, personagens da obra de Cervantes, na Praça de Espanha em Madrid. A loucura exasperada de Quixote em luta contra os moinhos de vento foi tónica da viagem no percurso Europeu, onde a velocidade permitida pelas boas condições de estrada, relevava como elemento de desgaste o vento com que tinha de me confrontar permanentemente. 
Mensagem de apoio e boas vindas aos refugiados Sírios, na fachada da Câmara Municipal de Madrid. Durante a viagem, a crise humanitária e de refugiados Sírios, revelar-se-ia nos seus mais diversos aspectos ao longo do percurso europeu, especialmente em Itália, Turquia e Paquistão.
[ 8 Setembro ] – Espanha (Saragoça) – Andorra
Paisagem característica do leste da Espanha (Aragão) com o emblemático touro. 
Cruzando o meridiano de Greenwich em Espanha. A viagem tendo com orientação predominante Oeste-Leste, cruzaria um total de 9 fusos horários, correspondendo à diferença horária entre Portugal e Timor. Em Sumatra Barat, o percurso da viagem cruzaria também a linha imaginária do equador que divide o hemisfério norte do hemisfério sul.
[ 9 Setembro ] – França
Sem vaga de alojamento nas unidades hoteleiras da região sul de França, a opção de pernoita em tenda.
[ 10 – 13 Setembro ] – Itália e Vaticano
[ 14 Setembro ] – Eslovénia
Vista de Lubliana a capital da Eslovénia.
[ 14 Setembro ] – Croácia
Em Zabreb, capital da Croácia, um dos três estados balcânicos visitados no percurso que faziam parte da extinta Jugoslávia.
[ 15 Setembro ] – Sérvia
O edifício do Ministério da Defesa da Sérvia em Belgrado, bombardeado pelas forças da Nato, durante a Presidência de Slobodan Milošević, em 1999.
[ 16 Setembro ] – Bulgária
Catedral em Sófia, Bulgária
[ 17 Setembro – 13 Outubro ] – Turquia
Turquia. Estátuas em Nemrut, monumento funerário do século I AC, lugar de interesse histórico que faz parte desde 1987 da Lista de Património da Humanidade da UNESCO. 
Curdistão Turco. Estrada em direcção ao sul e á fronteira da Síria. No último dia da estada em Ankara, ocorre o atentado que deixou 102 vitimas mortais e mais de 400 feridos, no largo frente à estação de caminhos de ferro da capital turca, junto ao hotel onde residia. Na sua grande parte as vítimas eram Curdos que se manifestavam em favor da paz, tendo o atentado suicida sido atribuído à ISIS. Em sequência chovem acusações contra o governo Turco por alegadamente favorecer o Estado Islâmico (ISIS) que combate as populações e forças de resistência Curdas na Síria e no Iraque. No dia seguinte, retomo viagem em direcção à fronteira com o Irão, já na posse do necessário Carnet de Passage, atravessando território do Curdistão Turco. A população Curda que vive na Turquia manifesta-se de todas a formas contra o governo Turco. Passo diversos check point no percurso, cruzando-me com muitos veículos militares e forças de segurança em todo o território. Na capital do Curdistão, sou envolvido numa situação de grande insegurança, com a população em protesto. Jovens incendiando pneus e carros, bloqueando as ruas e atirando pedras aos veículos blindados das forças policiais que ripostam disparando rajadas de aviso e granadas lacrimogéneas. A custo consigo libertar-me da situação e prosseguir viagem. No percurso junto à fronteira com a Síria cruzo-me com uma imensa coluna de camiões cisterna para transporte de combustível que supostamente se abastecerá em território ocupado pelas forças da ISIS. O percurso segue depois a pouca distância da fronteira norte iraquiana em direcção à fronteira com o Irão. Em Yakuskova, a 25 kms da fronteira com o Curdistão Iraquiano onde pernoito, vive-se uma situação de grande insegurança com recolher obrigatório. Ouvem-se disparos e rebentamentos a pouca distância. A noite é desperta pelo constante sobrevoo de helicópteros que patrulham a fronteira e pelas imensas colunas de blindados que cruzam o centro da cidade deserta em direcção à fronteira Iraquiana. Informado que a fronteira de Essendere se encontrava fechada pela insegurança na área, prossigo em direcção à única fronteira que ainda se encontra aberta, Gurbulak Kuyu, cerca de 400 kms a norte, junto à Arménia.
[ 14 Outubro ] – Irão
Um comboio de mais de 30 kms de camiões aguarda a sua vez para passar a fronteira Turquia / Irão de Bazargan. 
Serviço de manutençao e revisão aos 10.000 Kms na capital Iraniana. 
Persopólis. Património Mundial da UNESCO, fundada por Darius em 518 A.C., Persepolis foi a capital do Império Achaemenid.
[ 19 Outubro ] PaquistãoBaluchistão. Avaria na estrada. A equipa de escolta Levies de Dabaldin deu uma mão para resolver o problema.
O Baluchistão é uma província do Paquistão que confina a Oeste com a República islâmica do Irão e a norte com o Afeganistão. A região tem desde há muitos anos um movimento de guerrilha independentista activo. Actualmente e em face da proximidade da fronteira aberta do Afeganistão, a área sofre incursões Talibans que frequentemente atacam as forças de guerrilha, favorecendo as forças do governo Paquistanês. A instabilidade e insegurança no território é uma realidade e a passagem pela região obriga a escolta militar e policial, por toda a província e até à cidade de Lahore no Pundjab. A passagem pelo Baluchistão foi efectuada em 3 dias com escoltas policiais e militares que se revezavam de 25 em 25 kms, num total de 1200 Kms. Na província está estabelecido o recolher obrigatório às 16 horas, pelo que fui obrigado a pernoitar nas celas de prisão das esquadras de policia, por questões de segurança. As trocas de escolta realizavam-se junto a check points e trincheiras militares em áreas desérticas não podendo por isso adquirir produtos alimentares ou fazer refeições durante todo o trajecto nesses 3 dias de escolta.
[ 23 de Outubro ] – Índia
[ 6 de Novembro ] – Myanmar
[ 10 de Novembro ] – Tailândia
[ 12 de Novembro ] – Malásia
[ 14 de Novembro ] – Indonésia
[ 28 de Novembro ] – Timor-Leste
O ficheiro supra, disponibiliza informação sobre a localização durante o percurso realizado. Durante o tempo de realização da viagem foi possível acompanha-la em tempo real no site http://www.findmespot.com, onde esteve registada uma conta em nome de Lisboa-Díli 2015. Não sendo possível guardar por mais de 6 dias histórico em mapa online, ficam aqui identificadas as coordenadas de localização, data e hora, a partir da qual se poderá reconstituir por introdução de valores no site http://www.googlearth.com todo o itinerário da viagem.















